Migração alavanca condomínios sustentáveis no interior

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  • Post last modified:7 de dezembro de 2021
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Opções de loteamentos fechados com apelo ecológico começam a chegar também para a classe média.

A migração dos moradores de grandes centros urbanos para o interior durante a pandemia de Covid-19 deu força ao lançamentos de empreendimentos em cidades menores que apostam na sustentabilidade.

O Artesano Galleria Campinas, lançado em agosto no interior paulista, está com 90% dos 233 terrenos vendidos, a um custo médio de R$ 600 mil cada, segundo a Artesano Urbanismo, responsável pelo empreendimento.

Entre os diferenciais listados, estão uso de madeira engenheirada (o material é processado industrialmente para uso em construções), fazenda solar para geração de energia limpa, reúso de água da chuva, telhado verde e dois quilômetros de ciclovias.

O empreendimento terá ainda 275 mil metros quadrados de mata nativa preservada, além de estruturas ainda pouco comuns em loteamentos de grande porte em cidades do interior, entre elas horta orgânica comunitária e pomar.

Desenho de duas pessoas mexendo em horta
Ilustração de horta em condomínio da Artesano – Divulgação

Mais do que segurança, o que faz diferença hoje para as pessoas é um modo de vida saudável, avalia Marcelo Willer, presidente-executivo da Artesano Urbanismo.

“A ideia de comunidade também ganhou força. As pessoas não querem morar em empreendimentos enormes em que todo mundo sai com seus carros. Elas querem espaço para caminhar, fazer atividades ao ar livre, praticar um esporte, querem que seus filhos possam comer uma fruta tirada do pé”, afirma Willer.

Criada por três ex-sócios da Alphaville Urbanismo, a Artesano tem planos para lançar empreendimentos semelhantes no ano que vem: em Londrina, no Paraná, no primeiro semestre; além de Ribeirão Preto e Santana do Parnaíba, ambos em São Paulo, no segundo semestre.

Segundo Willer, os projetos vão trazer espaços compartilhados que valorizem a alimentação e vida saudável e o convívio entre seus moradores. Seguirão ainda outra tendência acelerada pela pandemia: 5G e fibra ótica para moradores em home office.

Para Paulo Pinheiro, diretor executivo comercial da Lopes, esse êxodo rumo ao interior é uma tendência sem volta, especialmente nas cidades mais próximas dos grandes centros como Itu, Barueri, Sorocaba, Atibaia e Itatiba, no caso de São Paulo.

“Antes da pandemia, era comum as pessoas viverem na capital até os filhos se formarem e, com a família consolidada, fazerem essa migração para o interior. A pandemia mudou isso. As pessoas agora podem antecipar essa mudança”, afirma Pinheiro.

“E a opção de se mudar para empreendimentos sustentáveis permite somar economia ao conforto que as casas do interior, maiores que os apartamentos da cidade, proporcionam” completa.

Outro empreendimento que deve ser lançado no primeiro trimestre de 2022 é o Ybytu, em Campos do Jordão, também no interior de São Paulo. Com 6 milhões de metros quadrados, o complexo vai reunir instalações para turistas e um loteamento residencial, numa área cercada por verde.

Todo o empreendimento seguirá os preceitos da sustentabilidade, assim como as hospedagens para aluguel, que têm desenho do arquiteto Duda Porto.

Chamada de Cabana por Porto, a instalação tem uma arquitetura simples e foi criada como um módulo que pode ser acrescentado a uma casa pré-existente. Toda em estrutura metálica, pode ser construída fora do local da instalação e ser transportada pronta.

A construção pode levar de poucos dias até alguns meses, dependendo do tamanho do imóvel planejado.

“Não é só sobre morar, é sobre como ocupar uma área verde, em contato com a natureza, de uma forma simples, sem causar grande impacto. A casa passa a ser apenas um veículo para isso”, diz Porto.

Com escritórios no Rio e em São Paulo e um trabalho voltado para a sustentabilidade desde 2013, o arquiteto viu seus clientes se multiplicarem na pandemia. Atualmente, comanda cem projetos de casas unifamiliares. Cerca de 70% deles são sustentáveis.

Embora a busca por sustentabilidade seja mais forte nos imóveis de alto padrão, já é possível também encontrar empreendimentos voltados para a classe média, como destaca Caio Portugal, presidente da AELO (Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano).

Ele afirma que muitas empresas vêm complementando os empreendimentos com itens relacionados à sustentabilidade, como jardim de chuva, que usa o paisagismo para conter as águas pluviais, e energia fotovoltaica tanto para as áreas comuns quanto para dentro das casas.

A empresa ítalo-brasileira Planet Smart City cria grandes condomínios abertos para o público do programa federal habitacional Casa Verde e Amarela. São três empreendimentos já lançados no Brasil, todos no Nordeste: as chamadas smart cities Laguna e Aquiraz (no Ceará) e Natal (no Rio Grande do Norte).

Desenho de rua com casas térreas
Ilustração de rua no condomínio Smart City Laguna, no Ceará, da Planet Smart City – Divulgação

Todas usam soluções como gestão de resíduos, reúso de água, energia solar, iluminação pública e irrigação inteligentes, pavimentação drenante, hortas urbanas, banco de mudas, plantas de baixa manutenção, além de contarem com um hub de inovação onde há biblioteca, cinema e coworking.

Há também um aplicativo para os moradores com funcionalidades como dispositivo para segurança pessoal, carona comunitária e automação residencial.

“São cidades inclusivas ao alcance de todos e com infraestrutura de altíssima qualidade. Queremos construir realidades. Por isso, investimos em locais com alto déficit habitacional”, conta a italiana Susanna Marchionni, presidente-executiva da Planet no Brasil.

Primeiro a ser lançado, em 2018, o projeto de Laguna conta hoje com 250 casas construídas e ocupadas. E mais 250 ainda devem ser erguidas por lá nos próximos meses. Todas têm pelo menos dois quartos e metragens que vão dos 53 aos 85 metros quadrados.

Em Natal, o empreendimento soma 166 casas construídas e em Aquiraz, há outras 250.

A empresa ainda deve lançar, em breve, um novo empreendimento seguindo o mesmo estilo de sustentabilidade em Camaçari, na Bahia.

Fonte: Folha de São Paulo