Pandemia e Educação: A nova escora para defasagem do Ensino Fundamental

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  • Post last modified:11 de janeiro de 2022
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A pandemia pelo novo coronavírus provocou um cenário de mudanças e incertezas em todos os campos da vida social. É necessário ouvir o clamor da sociedade para que sejam tomadas medidas urgentes para mitigar os efeitos no meio educacional. Não se pode fechar os olhos para os danos causados pelos quase três anos de caos e medo vividos, porém não se deve usar o passado como amparo para o desempenho ruim dos alunos nessa retomada lenta ao ensino presencial. O bom uso do tempo e do espaço do ensino realizado pela rede pública deve estar diretamente ligado ao aprofundamento da problemática gerada pelos fatores econômicos, sociais e culturais. Sempre se ouviu falar da lacuna educacional, que tem sido agravada pela educação à distância nos últimos anos que impossibilitou a muitos alunos que viviam em áreas de risco completar de forma eficiente o ensino fundamental. Mas nada é eterno e os portadores do coronavírus não são de vida longa, visto que ao final de 2021 mais de 90% dos alunos retornaram para dentro das salas de aula.

A educação esta nivelando os conhecimentos e capacidades dos alunos de forma inferior ao que pode ser explorado e ofertado pelos mesmos. O professor em sala está sendo privado do direito de ensinar ao aluno o que deverás ele deve e pode aprender, pelo simples fato de que as secretarias de educação estão cobrando do educador empatia pós pandemia, sem levar em conta o interesse e a vontade do estudante em retomar a aprendizagem na sua forma completa. Estamos retrocedendo em currículos educacionais, ensinando o que os alunos já sabem com o pretexto de que não se deve cobrar além do básico nesse retorno. Mas até quando vamos explorar o básico? Até quando vamos subestimar as capacidades cerebrais de crianças de 6 a 12 anos que estão sedentas por saber, por conhecer, por explorar? O papel da escola nesse ensino pós-pandêmico deve ser o de instigar o aluno para saberes além de suas capacidades, fazê-lo buscar respostas as muitas dúvidas surgidas nesse período, retomar nele a confiança. Há rumores que citam perdas irreparáveis e irreversíveis no quesito educacional, supondo com isso que os sujeitos que retornaram as salas de aula não sejam cognitivamente capazes de se superar, construir ou reconstruir o saber ressignificando a aprendizagem sem pospor conteúdos básicos já vistos e que podem vir a ser reforçados ao longo do ano.

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Sabendo que a aprendizagem não se faz de forma linear ou cronológica, há nessa afirmativa a chance de uma efetivação nesse processo de ensino aprendizagem, pois o aprender não é uma meta rigorosa que o aluno tenha que atingir, e sim um direito dele para um melhor aproveitamento e obtenção de conhecimento, trocas de experiências que elevem sua capacidade. O papel do educador em sala é o de não estagnar o conhecimento, não deixar os alunos na média e sim qualificá-los para os anos subseqüentes, entregar ao estudante sua máxima da série vigente. Retroceder em currículos é tornar o aluno apático e desmotivado por rever tantas vezes os conteúdos já adquiridos. Retrogradar currículos nos anos ulteriores não irá corroborar com a aprendizagem, criaremos com isso estudantes dependentes, sem iniciativa própria e duvidosos de suas capacidades. Houve sim uma pandemia que parou o mundo. Houve inércia na educação e em vários outros campos da vida social de todos, mas não podemos arrastá-la além do tempo que já causou um declínio educacional. A visão é pro futuro e a cobrança em sala de aula deve ser retomada, sem vitimizar alunos depositando neles uma carga de desobrigação. O estudante, ao sair do Ensino Fundamental séries iniciais deve se sentir apto a encarar os novos desafios dos próximos anos, e isso só será possível se pararmos de retrair capacidades, habilidades com base numa pandemia já controlada.

Por fim, é necessário deixar claro que a pandemia afetou a todos, criando novos desafios a se sobrepujar, mas que nos mostrou também, no quesito educação e ensino, a importância do professor e da sala de aula como suporte para uma educação efetiva e duradoura.

Por Grasieli Duarte de Mattos 

Fonte: Jornal da Tribuna